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Em nome do Pai




As mudanças sociais advindas de uma série de fatores, que não vem ao caso mencionar neste artigo, estabeleceram a figura de um novo pai. Não tenho a pretensão de discorrer sobre condição ou orientação sexual de qualquer dos gêneros. Apenas tornar relevante o papel do pai dentro de um contexto que estabelece uma postura diferente. Hoje, graças a Deus temos outras configurações familiares, e nestas o pai não é mais apenas aquela figura simbólica, que emanava autoridade e respeito. O pai não é apenas o provedor financeiro. Hoje, o pai definitivamente assumiu um papel ativo, onde é cada vez mais frequente vermos pais assumirem o cuidado em alimentar, cuidar das roupas dos seus filhos, levar na escola, participar ativamente na formação das crianças, nos contratempos dos adolescentes e nas experiências dos filhos adultos. Bem, mas como tudo tem seu lado bom e seu lado ruim, vem o questionamento, os pais estão preparados para tudo isso? E no contexto profissional? Tem um comercial de um produto, que está sendo veiculado esta semana, que passa um pai numa reunião de trabalho, quando de repente recebe uma mensagem de celular do filho que está numa sala ao lado, me parece, e este o espera para “entrarem juntos numa fantasia de criança”, tipo viajar numa espaçonave, algo assim. E aí, o sujeito discretamente fala aos que estão com ele na sala que aconteceu algo muito importante e que precisará sair por algum tempo da reunião e sai. Essas “mentirinhas do bem” eram comuns no universo das mães. Ou seja, por temerem perder o respeito profissional, inventavam mentirinhas para correr e resolver as emergências de suas crias. Agora, são os pais que fazem a mesma coisa. São eles que correm do trabalho para assistirem as reuniões de pais e mestres; eles que fogem das reuniões de trabalho para assistirem as pecinhas de teatro, etc. Então, que mensagem nos trás esse novo cenário? Acredito que a mensagem de que podemos ser bons profissionais sem abandonar os outros valores que importam em nossas vidas; a de que ser pai é estar realmente presente em todas as fases da vida de um filho, sem ser apenas um símbolo distante. È por toda essa mudança na estrutura das relações, que parabenizamos todos os novos pais e temos certeza que este novo modelo irá impactar em uma geração de pessoas melhores. E por tudo isso, gosto muito da frase da música do Padre Zezinho quando ele diz: “e que o homem carregue nos ombros a graça de um pai”.
 

O que você quer ser quando crescer?



   Quando criança é comum nos surpreendermos com a primeira das grandes questões da vida: “o que você quer ser quando crescer”. A resposta é sempre “na lata”, e respondemos sempre as profissões que achamos divertida, instigante, atraente, desafiadora, que combina com nosso jeito de ser.

   Mas, aí o tempo passa e nossas experiências e influências na maioria das vezes nos afasta do sonho da profissão de criança. Ou nos afasta de qualquer outro sonho.


Crescemos e aquela questão permanece – “o que você quer ser quando crescer?”


   Se na infância essa questão em nada incomoda, na vida adulta parece um fardo. É como se as decisões que tomamos na vida estivessem nos carregado para tão, tão distante da nossa essência que é impossível voltar, o que nos frustra severamente.


Porém, a criança que fomos permanece no nosso corpo de adultos. Se podemos errar tantas vezes enquanto adultos, por que não podemos tentar acertar naquilo que sentimos ser nossa vocação. O que falta então?


   Faltam três atitudes que não podíamos, nem precisávamos ter quando crianças. Primeiro, precisamos estabelecer objetivos que incluam ser feliz. Se prá ser feliz você precisar largar uma carreira e começar tudo de novo, faça! Precisamos ter coragem; e finalmente temos que tomar as rédeas da nossa existência.


Com certeza absoluta se fizer na vida o que desperta prazer, satisfação, entusiasmo, você será o melhor. Os desafios e limitações existirão sempre, contudo serão mais fáceis de serem superados. Porque seu combustível será sua motivação, sua fé, sua alegria de estar realizando na vida sua missão pessoal.


   E mais, esse será o seu maior legado: A certeza que em sua existência pôde contribuir substancialmente para tornar esse mundo melhor naquilo que você faz de mais completo. Seja construir um edifício, fazer uma comida, ministrar uma aula, vender um produto, salvar uma vida, consertar um equipamento, limpar uma casa, cuidar de pessoas... Não importa, vale qualquer ofício, contanto que você se sinta realizado.


   Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
Fernando Pessoa